Uma novela on Line, uma história que se constrói dia após dia. Participe no seu desenvolvimento, influencie o seu percurso, altere os acontecimentos. Os seus comentários, sugestões e dicas serão essenciais para o desenrolar do trama.

29
Jun 08

Sentiu o sangue gelar em cada veia, artéria e vasos sanguíneos que percorriam o seu corpo. De repente, um frio glaciar apoderou-se do seu corpo e tremia, tremia sem parar.

Experimentava um descontrolo total sobre os seus membros. Tentava à exaustão manter-se calma, mas nada conseguia travar aquela tirintar compassado.

Conseguiu, com esforço, transportar o seu corpo até à cama, onde se sentou, apática, mantinha aquela carta presa nas mãos e os olhos enredados naquele pedaço de cabelo faziam-na sentir doente, febril.

A última recordação viva dentro da sua lembrança remetia-a até àquele acidente...

 

As luzes incandescentes a aproximarem-se estupidamente velozes do carro onde ia. Aquele clarão doloroso que pos fim à sua visão, o ruído dos freios que se ouviam mesmo já sem ver e sentir o seu corpo e logo no minuto seguinte o estrondo final, aquele que lhe trouxe o silêncio profundo, o vazio onde já nada se reveste de percepção.

Depois a dor física, a dor que a consomia como se ardesse lentamente. As luzes do hospital e a dor, a mesma, mas cada vez mais intensa.
Os médicos que gritavam "vamos, não desista!" e as luzes, as mesmas, mas cada vez menos intensas.
A correria dos enfermeiros e os gritos, os mesmos, mas cada vez mais longe.

A dor, sempre a dor, cada vez mais acutilante, tinha-se entranhado na cabeça e ali estava, a fibrilar, pronta a levá-la com ela.

O berro "O desfibrilhador, precisamos do desfibrilhador aqui" e a dormência, a mesma, mas calmante. Precisava de se entragar a esta dormência...

 

Num choro compulsivo e frenético deixou cair a carta junto aos pés. Chorava como há muito não o fazia, sentia o choro rasgar-lhe o peito, aquele aperto na garganta de quem não consegue esvair-se à mesma velocidade com que as lágrimas jorravam dos seus olhos. Agarrou o peito entre as suas mãos e num uivo animal soltou um grito de náusea.

Soluçava incessantemente, cada soluço batia dolorosamente nos pulmões agonizando a próxima lágrima.

Doía, doía como se uma ferida fosse rasgada.

 

 

 

publicado por Manuela às 23:09

Olá Manu!
Pela primeira vez tive a calma necessária para ler a tua novela :) Estou a adorar a Esperança! Tenho a sensação de que é uma mulher aparentemente frágil mas que tem dentro de si enorme força. Estarei errada? É esperar para ler ;)
O mistério da carta e o passado da Esperança sugam toda a minha atenção!
Beijinho,
Margarida (a mesma da Artémis!)
Margarida a 30 de Junho de 2008 às 15:13

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